Basta dizer as quatro letras — BDSM — para que muita gente imagine logo cenas extremas de filme. A realidade, para a maioria dos casais que se aventuram neste mundo, é bem mais simples e bem mais doce. Umas algemas de pelo, uma venda nos olhos, um jogo de “quem manda esta noite”. Nada de assustador.
Este guia é para quem tem curiosidade, mas não sabe por onde começar. Vamos falar de acessórios, sim, mas sobretudo da parte mais importante: o consentimento, a confiança e as regras que fazem com que tudo corra bem.
O que é, afinal, o BDSM
A sigla junta várias práticas: bondage e disciplina, dominação e submissão, sadismo e masoquismo. Pode parecer muita coisa, mas na prática a maior parte dos casais fica-se por jogos leves de controlo e de sensações. Um prende, o outro é preso. Um decide, o outro obedece. Um provoca, o outro espera.
O que torna isto interessante não é a dor nem o aparato. É a confiança. Entregar o controlo a alguém, ou recebê-lo, exige uma cumplicidade enorme. Muitos casais dizem que estas experiências os aproximaram mais do que esperavam.
Antes de tudo: consentimento
Não há BDSM sem consentimento. Ponto. Tudo o que acontece tem de ser combinado antes, desejado pelos dois e pode parar a qualquer momento. Há quem resuma isto numa frase: são, seguro e consensual.
Na prática, isso significa:
- Conversar antes. O que cada um quer experimentar, o que está fora de questão, quais são os limites.
- Ter uma palavra de segurança. Uma palavra que não usariam normalmente durante o momento (“amarelo” para abrandar, “vermelho” para parar, por exemplo). Quando é dita, para tudo, sem discussão.
- Ter um sinal não verbal. Se a pessoa estiver com uma mordaça ou não conseguir falar, um gesto combinado — largar um objeto, bater três vezes — cumpre a mesma função.
- Conversar depois. O que gostaram, o que correu menos bem, o que querem repetir.
Uma regra adicional que nos parece importante: nunca com álcool em excesso. A capacidade de decidir e de comunicar tem de estar intacta.
Algemas eróticas, vendas e kit BDSM para começar
Venda para os olhos. É o acessório mais simples e talvez o mais eficaz. Quando não se vê, cada toque é uma surpresa. Ótimo para quem está a dar os primeiros passos.
Algemas suaves. Com pelo, com velcro ou em tecido. Prendem sem magoar e soltam-se facilmente. Evite algemas de metal sem fecho de segurança.
Fitas e cordas de cetim. Para quem quer algo mais versátil. Nunca aperte junto ao pescoço e deixe sempre espaço para dois dedos entre a fita e a pele.
Plumas e chicotes de tiras macias. Servem mais para provocar do que para bater. O contraste entre uma pluma e um toque mais firme pode ser muito intenso.
Kits para principiantes. Juntam vários destes acessórios numa só caixa e são uma forma prática de experimentar. Encontra vendas, algemas e kits na secção Sado e outros acessórios na área de membros.
Segurança física
Alguns cuidados que nunca devem ser esquecidos:
Tenha sempre umas tesouras de pontas redondas à mão, para cortar fitas ou cordas numa emergência. Nunca deixe uma pessoa presa sozinha, nem por um minuto. Verifique regularmente a circulação nas mãos e nos pés: se a pele ficar fria, azulada ou dormente, solte de imediato. E evite apertar articulações e o pescoço.
Se usar óleos ou lubrificantes, escolha produtos de qualidade, como os que encontra em cosmética íntima, e lembre-se de que os óleos não são compatíveis com preservativos de látex.
O “aftercare”
É um termo inglês que significa, literalmente, cuidado depois. Depois de uma sessão, sobretudo se foi intensa, é importante ter um momento de carinho: um abraço, um copo de água, uma manta, uma conversa calma. Ajuda a regressar ao “normal” e reforça a confiança entre os dois. Muitos casais dizem que é a parte de que mais gostam.
Ideias para uma primeira vez
Comece com uma venda e uma regra: quem está vendado não pode tocar, só receber. Na vez seguinte, troquem. Depois, se quiserem, acrescentem umas algemas suaves. Vão devagar. Não há pressa nem nenhum nível a atingir.
E lembrem-se: se algo não vos agradar, não há problema nenhum em ficar por ali. O objetivo é divertirem-se juntos.
Como ter a conversa
Falar de BDSM com o parceiro ou a parceira pode parecer intimidante, mas costuma ser mais fácil do que se imagina. Uma boa forma é fazer uma lista, cada um no seu papel, com três colunas: “quero experimentar”, “talvez” e “nunca”. Depois comparem. As coincidências na primeira coluna são um ótimo ponto de partida. Tudo o que estiver na coluna “nunca” de um dos dois fica de fora, sem discussão.
Esta conversa não acontece só uma vez. Os gostos mudam, os limites também. Voltar ao assunto de vez em quando é sinal de uma relação saudável.
Mitos que convém desfazer
“Quem gosta disto tem algum problema.” Não. Gostar de jogos de controlo ou de sensações intensas é uma preferência como outra qualquer, desde que seja consensual.
“O submisso é a parte fraca.” Pelo contrário: é muitas vezes quem define os limites e quem tem a palavra final, através da palavra de segurança.
“É preciso material caro.” Uma venda e umas algemas suaves chegam para começar. O resto é imaginação.
“É sempre intenso.” Pode ser muito leve, brincalhão e até divertido. Cada casal define o seu nível.
Perguntas frequentes
Que kit BDSM escolher para começar? Um kit para iniciantes com venda, algemas suaves e uma pluma chega para dar os primeiros passos.
BDSM tem de envolver dor? Não. Muitos casais ficam-se por jogos de controlo e de sensações.
E se eu quiser parar a meio? Diz a palavra de segurança e para tudo. Sem culpa nem explicações.
Os acessórios são seguros? Os pensados para principiantes, sim, desde que usados com bom senso.
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