Há uma cena que se repete em muitas casas. Um dos dois anda há semanas com vontade de sugerir algo novo, mas não sabe como. Tem medo de que o outro leve a mal, que pense que “já não chega”, que a conversa fique estranha. E assim a ideia vai ficando na gaveta, mês após mês.
Se se revê nisto, este artigo é para si. Os brinquedos para casais não são um sinal de que alguma coisa está mal. São, quase sempre, o contrário: um sinal de que há confiança suficiente para brincar, experimentar e rir juntos. Vamos ver que tipos existem, como escolher e — talvez o mais importante — como tocar no assunto sem dramas.
Primeiro, uma mudança de perspetiva
Muita gente imagina que um brinquedo “substitui” alguma coisa. Não substitui. Pense nele como pensa num bom vinho ao jantar ou numa música de fundo: não é o jantar, mas torna-o melhor. Um brinquedo pensado para casais é feito para ser usado com o outro, não em vez dele.
Também convém tirar a pressão de cima. Não é preciso que tudo corra lindamente à primeira. Às vezes a primeira experiência dá mais vontade de rir do que outra coisa — e isso, sinceramente, também é ótimo.
Tipos de brinquedos sexuais para casais
Anéis vibratórios. São provavelmente o ponto de partida mais popular. Usam-se pelo homem e têm um pequeno motor que vibra durante a relação, de forma a que os dois sentem a diferença. São pequenos, discretos e fáceis de usar.
Vibradores para casais. Têm formas pensadas para ficarem no sítio durante a relação, normalmente em forma de “U” ou de “C”. Muitos funcionam com comando à distância ou por aplicação, o que acrescenta um elemento de jogo: quem controla é o outro. Pode ver vários modelos na secção de vibradores.
Massajadores. Mais versáteis, servem tanto para massagens nas costas como para momentos mais íntimos. Para quem está a começar, são uma excelente escolha porque não “assustam”.
Acessórios de jogo. Vendas para os olhos, plumas, laços de cetim. Não vibram nem fazem nada sozinhos, mas mudam completamente o ambiente. Uma venda nos olhos, por exemplo, aguça todos os outros sentidos.
Kits. Para quem não quer escolher peça a peça, os kits e conjuntos juntam vários produtos numa só caixa. Têm a vantagem de permitir experimentar um pouco de tudo e perceber de que é que os dois gostam mais.
Como escolher brinquedos para casais, sem complicar
Escolher a dois é metade da diversão. Sentem-se no sofá com o computador, vejam a secção para casais e façam um jogo simples: cada um aponta três coisas que lhe despertam curiosidade. Depois comparem. Vão surpreender-se com as coincidências — e com as diferenças.
Alguns critérios práticos que ajudam:
- Material: o silicone de grau médico é seguro, macio e fácil de limpar.
- Ruído: se vivem num apartamento ou com mais pessoas em casa, um motor silencioso faz toda a diferença.
- Carregamento: os modelos recarregáveis por USB poupam pilhas e chatices.
- Tamanho: para começar, mais pequeno costuma ser melhor.
Como introduzir o assunto
Esta é a parte que mais medo mete. Algumas sugestões que funcionam bem:
Escolha o momento certo. Não é a meio de uma discussão nem logo depois de uma noite que não correu bem. É numa altura descontraída, quando estão bem-dispostos. Um passeio, um jantar calmo, um domingo de manhã.
Fale de si, não do outro. “Tenho curiosidade em experimentar…” soa muito diferente de “Acho que nos fazia falta…”. A primeira frase é um convite; a segunda pode soar a crítica.
Use humor. Um artigo como este, enviado com um emoji, pode ser a forma mais leve de abrir a conversa. Ou um jogo de cartas com perguntas, que faz o trabalho por si.
Aceite um “não” ou um “ainda não”. Se o outro não estiver confortável, respeite. Às vezes a ideia precisa de tempo para amadurecer. Muitas vezes é o próprio parceiro que, semanas depois, volta ao assunto.
A primeira vez
Quando chegar o momento, não transforme isso num evento. Deixem o produto carregado, tenham à mão um lubrificante à base de água (combina com todos os materiais) e esqueçam a ideia de “fazer bem”. Explorem. Falem. Parem se for preciso. Riam-se se algo correr de forma desajeitada.
No fim, uma conversa rápida vale ouro: o que gostaram, o que mudariam. É assim que se vai construindo, aos poucos, algo que é só vosso.
Cuidados depois de usar
Todos os brinquedos devem ser lavados depois de cada utilização, com água morna e sabão neutro ou com um limpador próprio. Deixe secar bem ao ar e guarde numa bolsa individual, longe do pó e da luz. Na secção de higiene íntima encontra limpadores e bolsas pensados para isso. Temos também um guia completo no blog sobre como limpar brinquedos sexuais.
Três cenários reais (ou quase)
O casal que está junto há quinze anos. Os filhos já dormem cedo, a rotina instalou-se e as noites são quase sempre iguais. Para eles, um pequeno massajador e um óleo de massagem podem ser o pretexto ideal para reservar uma noite por semana só para os dois. Não é o produto que muda tudo; é o compromisso de parar e estar juntos.
O casal recente, cheio de curiosidade. Já falam abertamente de quase tudo e querem experimentar. Um vibrador para casais com comando à distância pode ser divertidíssimo — sobretudo quando é o outro que controla, sem aviso.
O casal à distância. Trabalho noutra cidade, emigração, turnos trocados. Há modelos que se controlam por aplicação, mesmo a quilómetros de distância. Para quem passa semanas separado, é uma forma criativa de manter a chama acesa.
O que não fazer
Não ofereça um brinquedo como “solução” para um problema na relação, sem conversa prévia. Não insista se o outro não estiver confortável. E não compare: cada casal tem o seu ritmo. O que funciona para os vossos amigos pode não funcionar para vocês, e está tudo bem.
Também não vale a pena gastar muito à primeira. Um produto simples, bem escolhido, diz-vos mais sobre o que gostam do que um modelo topo de gama cheio de funções que nunca vão usar.
Perguntas frequentes
O que é um vibrador para casais? É um vibrador com forma pensada para ser usado durante a relação, muitas vezes com comando à distância ou por aplicação.
Um brinquedo pode “estragar” a relação? Não, se for uma escolha dos dois e se houver conversa. Na maioria dos casos, acontece o contrário.
Qual é o melhor para começar? Um anel vibratório ou um pequeno massajador. São simples, discretos e fáceis de usar.
E se um de nós tiver vergonha? É normal. Comecem por algo leve, como um jogo ou uma massagem, e deixem o resto para mais tarde.
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